O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues ressalta que rastreamento não é sinônimo de fazer o maior número possível de exames, e sim de escolher o método certo, no intervalo adequado, para cada perfil de risco. A ideia de personalização surge justamente porque mulheres com características diferentes não se beneficiam da mesma estratégia. Em alguns casos, a rotina padrão funciona muito bem; em outros, ela precisa de ajustes para evitar atrasos no diagnóstico ou, no sentido oposto, para reduzir investigações desnecessárias.
Ao mesmo tempo, personalizar não significa inventar protocolos. O caminho mais seguro é integrar informações clínicas com achados objetivos da imagem, estabelecendo prioridades e um plano que possa ser seguido ao longo do tempo, com continuidade e reavaliações periódicas. Quando isso acontece, a prevenção do câncer de mama ganha eficiência e também diminui o desgaste emocional provocado por idas e vindas sem critério.
Por que risco não é um número único e muda com o tempo
Risco não se resume a um fator isolado. Ele é composto por história familiar, características individuais, dados hormonais, eventos reprodutivos e condições clínicas, além de informações que aparecem nos exames de imagem. Portanto, duas pacientes da mesma idade podem ter necessidades bem diferentes, mesmo sem sintomas.

Além disso, o risco pode ser reavaliado, já que novos diagnósticos na família, mudanças no corpo e resultados acumulados de exames alteram a leitura do cenário. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues descreve que a personalização mais inteligente é aquela que se atualiza com base em dados concretos. Assim, o plano de rastreamento não vira um “carimbo”, porque ele acompanha a história real da paciente, sem exageros e sem negligências.
O papel da densidade mamária na escolha do método
A densidade mamária é um dos pontos que mais interferem na performance do rastreamento. Em mamas densas, a sobreposição de tecido pode esconder achados pequenos na mamografia 2D, além de aumentar dúvidas interpretativas. Por isso, em determinados perfis, pode ser indicado complementar a mamografia com ultrassom, ou considerar recursos como tomossíntese, sempre dentro de uma lógica clara de benefício esperado.
Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, densidade não deve ser tratada como sentença de risco alto, porque ela é um componente entre vários. Ainda assim, ela influencia a estratégia, já que determina o quanto a imagem mamográfica consegue “enxergar” com segurança, e isso muda a escolha do método e a forma de acompanhar achados estáveis.
Histórico familiar e genética como gatilhos para ajustar o calendário
Ter casos de câncer de mama ou ovário na família pode alterar o plano de rastreamento, principalmente quando existe padrão sugestivo de predisposição hereditária. Nesses contextos, a indicação pode envolver iniciar antes, encurtar intervalos ou acrescentar métodos, dependendo do conjunto de informações e da avaliação clínica. Entretanto, nem toda história familiar implica alto risco, pois grau de parentesco, idade do diagnóstico e número de casos mudam completamente a interpretação.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues pontua que a decisão precisa fugir do “tudo ou nada”. Para algumas pacientes, ajustes discretos já aumentam a segurança; para outras, faz sentido estruturar um acompanhamento mais intensivo, com protocolos bem definidos e integração entre consulta, imagem e, quando necessário, aconselhamento genético.
Como evitar excesso de exames e a cascata de investigações
Um rastreamento personalizado bem conduzido evita dois problemas clássicos: a sensação de falsa segurança e a cascata de exames que nasce de achados incidentais. Para reduzir o segundo, é essencial manter exames anteriores disponíveis, comparar resultados e registrar recomendações de forma consistente. Também ajuda entender que um achado “provavelmente benigno” pode exigir controle, sem que isso signifique urgência, apenas um mecanismo para confirmar estabilidade.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues explica que o equilíbrio depende de um plano simples de seguir, com critérios claros para quando complementar, quando observar e quando investigar de maneira invasiva. No fim, personalização é responsabilidade: ajustar o rastreamento para que ele seja eficaz, sustentável e coerente com a realidade da paciente, preservando o foco na prevenção e no diagnóstico precoce, sem transformar cada exame em um episódio de ansiedade.
Autor: Ksenia Orlova