Consultoria Gartner projeta alta de 47% nos gastos globais com IA, enquanto o país amplia importações de servidores e data centers.
O mercado global de inteligência artificial está prestes a atingir um novo recorde de investimento em 2026, movimento que já começa a mudar a rotina de empresas e consumidores brasileiros. Segundo levantamento recente da consultoria Gartner, os gastos mundiais com IA devem somar US$ 2,59 trilhões neste ano, um salto expressivo em relação a 2025. Essa expansão não fica restrita ao exterior. O Brasil também sente o reflexo direto desse boom, com aumento na importação de equipamentos tecnológicos e crescimento de eventos e iniciativas voltadas ao setor. A dúvida que fica para quem acompanha o tema é direta. Por que tanto dinheiro está sendo direcionado para inteligência artificial agora, e o que isso representa, na prática, para empresas e trabalhadores brasileiros nos próximos anos?
Por que os investimentos em IA bateram recorde em 2026
Segundo a consultoria Gartner, os investimentos globais em inteligência artificial devem alcançar US$ 2,59 trilhões em 2026, alta de 47% em relação ao ano anterior, com mais de 45% desse montante direcionado à infraestrutura necessária para suportar aplicações de IA, incluindo servidores, chips, redes e data centers. Esse tipo de gasto mostra que boa parte do dinheiro não vai para o desenvolvimento de novos aplicativos, mas para a estrutura física que sustenta esses sistemas por trás das câmeras. Docmanagement
Esse movimento também tem um efeito colateral que ultrapassa o mundo da tecnologia e chega ao comércio internacional. A corrida global pela inteligência artificial deixou de ser apenas uma disputa tecnológica para se tornar também um fenômeno logístico, com a expansão acelerada de data centers e a crescente demanda por servidores de alta performance impulsionando o comércio internacional de equipamentos, em rotas estratégicas para países como o Brasil. Isso significa mais navios, mais cargas de alto valor agregado e mais movimentação em portos e aeroportos ligados à cadeia de tecnologia. Docmanagement
Para o Brasil, especificamente, esse cenário reforça um papel que o país já vinha construindo nos últimos anos. O cenário reforça o papel do Brasil como principal polo latino-americano para investimentos em computação em nuvem, armazenamento de dados e aplicações de inteligência artificial. Na prática, isso pode significar mais empregos ligados à instalação e manutenção de data centers, além de maior atração de empresas de tecnologia que buscam uma base regional para atender toda a América Latina. Docmanagement
Do ponto de vista regulatório, o avanço acelerado da IA generativa também trouxe preocupações que caminham lado a lado com o crescimento do setor. As startups brasileiras estão liderando iniciativas que utilizam IA generativa para diversas aplicações, da criação de conteúdo à automação de processos empresariais, mas o crescimento dessa tecnologia trouxe preocupações com a privacidade dos dados, levando a União Europeia e o Brasil a trabalharem em regulamentações mais rigorosas para proteger os usuários. Esse equilíbrio entre inovação e proteção de dados deve seguir como um dos principais debates do setor pelos próximos meses. BRA 1
O que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê
Além do movimento do mercado privado, o governo brasileiro também tem um plano próprio voltado ao setor. No Brasil, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028, valor que reforça a intenção do país de não ficar apenas na posição de consumidor de tecnologia estrangeira, mas também de desenvolver capacidade própria nessa área. Esse plano nasceu a partir de um esforço do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, com iniciativas que vão da agricultura à segurança cibernética. Prepara
O impacto dessa transformação também chega ao mercado de trabalho, tema que preocupa boa parte dos profissionais brasileiros. Segundo o Fórum Econômico Mundial, mais de 40% das habilidades hoje demandadas no mercado devem mudar até o fim da década, impulsionadas pela automação e pela inteligência artificial, ao mesmo tempo em que surgem funções inéditas ligadas à integração, governança e uso estratégico da tecnologia. O recado, segundo especialistas, não é de substituição pura e simples do trabalho humano, mas de uma convivência mais próxima entre pessoas e sistemas automatizados. Prepara
Um dado que ajuda a entender o tamanho do interesse brasileiro pelo tema é o uso direto de ferramentas de IA generativa pela população. O Brasil é o terceiro país que mais utiliza o ChatGPT, atrás apenas de Estados Unidos e Índia, de acordo com relatório divulgado pela OpenAI. Uma pesquisa complementar, feita pelo Observatório Fundação Itaú em parceria com o Datafolha, indicou que a maior parte da população já percebe a inteligência artificial como parte da rotina, o que reforça a velocidade com que o tema deixou de ser restrito a especialistas em tecnologia. Jornal do Comércio
Eventos e próximos passos do setor de IA no Brasil
O calendário de eventos também reflete esse momento de aquecimento do setor no país. O AI Summit Brasil, considerado o congresso mais técnico e relevante sobre inteligência artificial e tecnologias emergentes da América Latina, acontece nos dias 22 e 23 de julho em São Paulo, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, reunindo executivos, tomadores de decisão e gestores públicos para discutir negócios reais, ética, regulação e impacto social da IA. Esse tipo de encontro tende a se multiplicar ao longo do ano, à medida que empresas de diferentes setores buscam entender como aplicar a tecnologia de forma prática. Aisummit
Entre as tendências mais discutidas para o restante de 2026 está a evolução dos assistentes digitais para sistemas mais autônomos. Uma das principais tendências de inteligência artificial para 2026 é a evolução dos assistentes digitais para agentes autônomos, capazes de executar tarefas completas, sem depender de comandos constantes do usuário. Esse tipo de avanço deve chegar cada vez mais a ferramentas usadas no dia a dia de empresas brasileiras, de atendimento ao cliente à gestão de estoques. Scansource
Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que a governança sobre esses sistemas deixou de ser apenas uma exigência formal. Em 2026, transparência nos modelos, conformidade com regulações e mitigação de vieses não são mais apenas itens de compliance, mas condições para que as empresas consigam escalar o uso da inteligência artificial. Esse tipo de exigência deve seguir pautando tanto o debate regulatório no Brasil quanto as decisões de investimento de empresas que dependem de dados sensíveis para operar. Prepara
O conjunto desses movimentos, do recorde global de investimentos ao plano nacional de inteligência artificial, mostra que 2026 é um ano decisivo para o setor no Brasil. O país deixou de ser apenas espectador da corrida internacional pela IA e passou a ocupar um papel mais ativo, tanto como importador de infraestrutura quanto como produtor de políticas próprias para o tema. Para empresas e trabalhadores, o desafio que fica é acompanhar essa transformação de perto, já que o ritmo das mudanças tende a se manter acelerado até o fim da década.
Fontes: Portal Information Management | BRA 1 | Prepara | ScanSource | AI Summit Brasil | Jornal do Comércio