O que não aparece no treinamento formal? Ernesto Kenji Igarashi comenta a formação de profissionais de segurança institucional

Diego Velázquez By Diego Velázquez 5 Min Read
Ernesto Kenji Igarashi

O criador do Grupo de Armamento e Tiro da Superintendência da PF em São Paulo, Ernesto Kenji Igarashi, considera que a formação em segurança institucional vai muito além do conteúdo estruturado em cursos e treinamentos, pois envolve elementos que só se revelam na prática e na vivência operacional. Nesse panorama, parte essencial do preparo do profissional se desenvolve fora da sala de instrução.

Este artigo apresenta o que não aparece no treinamento formal, explorando também a relação entre experiência, comportamento e adaptação em campo. Ao longo do conteúdo, serão discutidos fatores invisíveis na formação e práticas que contribuem para o desenvolvimento completo do profissional. Leia esse texto até o final para saber mais sobre o tema.

Quais habilidades são desenvolvidas apenas na prática?

Determinadas habilidades só se consolidam quando o profissional é exposto a situações reais, nas quais precisa tomar decisões sob pressão e lidar com variáveis imprevistas. Ernesto Kenji Igarashi esclarece que a prática operacional desenvolve competências como leitura de cenário e adaptação.

Em muitos casos, o contato direto com o ambiente permite perceber nuances que não são abordadas em conteúdos formais, como comportamento humano e dinâmica de risco. Mesmo assim, é importante que essas experiências sejam analisadas de forma estruturada, evitando que erros se perpetuem ao longo da carreira e comprometam decisões futuras. 

De que forma o comportamento influencia a formação do agente?

O comportamento do profissional desempenha papel central na sua formação, especialmente na forma como reage a situações de pressão e incerteza. Em termos práticos, atitudes como disciplina, atenção e controle emocional impactam diretamente a qualidade da atuação. 

Na análise de Ernesto Kenji Igarashi, o comportamento é moldado tanto pelo treinamento quanto pelas experiências vividas, sendo ajustado ao longo do tempo conforme o profissional enfrenta diferentes cenários. Ainda que o treinamento forneça diretrizes, é o comportamento em campo que define a eficácia da atuação em situações reais e dinâmicas. 

Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

Quais fatores invisíveis impactam o desenvolvimento profissional?

Além das competências técnicas, fatores invisíveis como percepção, intuição e capacidade de antecipação influenciam o desenvolvimento do profissional. Ernesto Kenji Igarashi pontua que esses elementos são construídos ao longo da experiência, muitas vezes de forma não consciente. 

Outro ponto relevante envolve a capacidade de interpretar o ambiente de maneira integrada, considerando múltiplas variáveis simultaneamente. Esse tipo de leitura não é facilmente mensurável, mas impacta diretamente a qualidade das decisões. Ademais, a forma como o agente reage a erros e acertos também influencia sua evolução, determinando sua capacidade de aprender com a prática. 

Como a liderança contribui para a formação além do treinamento?

A liderança exerce influência direta na formação do profissional, especialmente ao criar um ambiente que estimule o aprendizado contínuo e a reflexão sobre a prática. A princípio, cabe ao líder orientar, acompanhar e fornecer feedbacks consistentes. Esse direcionamento contribui para o crescimento da equipe.

Para Ernesto Kenji Igarashi, líderes que valorizam a experiência prática e incentivam a troca de conhecimento conseguem acelerar o desenvolvimento dos profissionais, tornando a formação mais completa. Por outro lado, a ausência de acompanhamento limita o desenvolvimento, fazendo com que o aprendizado dependa exclusivamente da experiência individual. 

Formação prática e maturidade profissional na segurança institucional

A formação de profissionais de segurança institucional não se encerra nos treinamentos formais, pois se constrói continuamente a partir da experiência, da reflexão e da capacidade de adaptação diante de cenários reais, exigindo envolvimento ativo do agente ao longo de toda a sua trajetória. Nesse sentido, compreender o que não aparece no treinamento permite ampliar a qualidade da atuação em campo, pois integra aspectos técnicos e comportamentais que sustentam decisões mais consistentes e alinhadas à realidade. 

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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