O Índice Nacional de Custo da Construção — Mercado (INCC-M) subiu 0,25% em setembro de 2026, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) em 25 de setembro. A variação representa uma desaceleração em relação a agosto, quando o indicador avançou 0,85%. Mesmo com o ritmo menor no mês, o custo da construção acumula alta de 6,61% em 12 meses.
O resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). No mesmo período de 12 meses encerrado em setembro de 2025, a alta acumulada havia sido de 7,07%. A comparação indica uma redução no ritmo anual de avanço, mas não uma queda dos custos enfrentados pelo setor.
O que significa a desaceleração do INCC-M
O INCC-M acompanha a evolução dos custos relacionados à construção civil. Por isso, uma alta de 0,25% em setembro significa que esses custos continuaram aumentando, embora em uma velocidade inferior à registrada no mês anterior. A leitura é diferente de uma redução de preços: o índice permaneceu positivo e ampliou o custo médio de referência observado no período.
Essa distinção é relevante para empresas e consumidores. Construtoras e incorporadoras utilizam indicadores de custos para acompanhar orçamentos, revisar projeções e avaliar a viabilidade de empreendimentos. Já compradores de imóveis em construção precisam observar as regras previstas no contrato, o estágio da obra e o critério de atualização aplicado à operação.
O INCC-M, portanto, não determina automaticamente o preço final de todos os imóveis. A formação do valor depende de diversos fatores, como localização, padrão do empreendimento, estratégia comercial, condições de financiamento e momento da negociação. O índice pode ser uma referência importante para a evolução dos custos, mas seus efeitos variam de acordo com cada contrato e projeto.
Mão de obra e materiais seguem no radar
A pressão sobre o custo da construção pode estar associada a diferentes componentes do setor, incluindo mão de obra e materiais. O comportamento desses itens afeta o planejamento financeiro dos empreendimentos e pode exigir ajustes em estimativas elaboradas antes do início ou durante a execução de uma obra.
Uma análise do BB Investimentos sobre o desempenho do setor imobiliário destacou que a construção continua resiliente, mas enfrenta a combinação de juros, custos e confiança. O relatório também apontou que os custos de mão de obra seguem contribuindo para manter o índice da construção acima da inflação ao consumidor.
Esse cenário torna o acompanhamento dos indicadores especialmente importante para novos projetos. Mesmo quando a variação mensal perde força, a alta acumulada em 12 meses continua representando uma diferença relevante no orçamento de uma obra longa. Quanto maior o prazo de execução, maior a necessidade de atualizar premissas financeiras e avaliar possíveis mudanças nos custos de insumos e serviços.
Impactos para imóveis na planta
Para quem compra um imóvel na planta, o principal ponto de atenção é entender como o contrato trata a correção das parcelas e do saldo devedor. A existência de uma referência ao INCC-M não significa que todos os valores serão reajustados da mesma maneira. É necessário conferir o período de incidência, a data-base, as condições previstas e as demais cláusulas do documento.
O comprador também deve considerar que a desaceleração de setembro não elimina a necessidade de planejamento. Uma alta mensal menor pode reduzir o impacto imediato de uma atualização, mas o acumulado anual de 6,61% mostra que a trajetória dos custos ainda exige cautela. A análise do orçamento deve incluir não apenas a parcela inicial, mas também a possibilidade de mudanças ao longo da construção.
Para incorporadoras e construtoras, o dado divulgado pela FGV oferece uma referência recente para revisar o planejamento de obras e os cenários de novos lançamentos. A decisão sobre preços, cronogramas e margens, no entanto, depende de uma avaliação mais ampla, que também envolve crédito, demanda, juros e condições específicas de cada empreendimento.
Indicador mantém relevância para o mercado
O resultado de setembro combina dois sinais. No curto prazo, mostra uma desaceleração expressiva diante do avanço de 0,85% registrado em agosto. No horizonte de 12 meses, porém, a alta de 6,61% confirma que os custos da construção permanecem em elevação e continuam influenciando o planejamento do setor imobiliário.
Para interpretar o número corretamente, é importante separar a variação mensal do acumulado anual e evitar conclusões automáticas sobre os preços dos imóveis. O INCC-M funciona como uma medida da evolução dos custos da construção; seus efeitos práticos dependem do contrato, da etapa da obra e das decisões de cada empresa. A próxima leitura do indicador ajudará a mostrar se a perda de ritmo observada em setembro será mantida.