Gaeco prende dirigentes da Saays Soluções Ambientais em nova fase da Operação Mensageiro

Ksenia Orlova By Ksenia Orlova 7 Min Read
Gaeco prende dirigentes da Empresa Saays Soluções Ambientais na nova fase da Operação Mensageiro em SC.

A Operação Mensageiro segue avançando em Santa Catarina e, na sua sexta fase, trouxe à tona novos desdobramentos que reforçam a complexidade do chamado “escândalo do lixo”. A ação, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) em conjunto com o Grupo Especial Anticorrupção (Geac) e coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), resultou na prisão preventiva de três dirigentes da Saays Soluções Ambientais, empresa sediada em Gaspar e investigada por suposta participação em um esquema milionário de corrupção envolvendo contratos públicos de coleta e destinação de resíduos sólidos.

Prisões em Gaspar

Os alvos desta nova etapa foram Schirle Scottini, proprietária da empresa; sua irmã Adriana Scottini, diretora administrativa; e Arnaldo Júnior, filho de Schirle e diretor de operações. Os três foram detidos preventivamente e levados ao Presídio de Blumenau, onde aguardam audiência de custódia.

Segundo o MP-SC, os investigados ocupam papéis de liderança e estariam diretamente ligados à condução de contratos suspeitos firmados pela companhia com prefeituras catarinenses. A investigação aponta que, mesmo após as fases anteriores da Operação Mensageiro, o grupo continuaria atuando em práticas ilícitas, o que motivou as ordens de prisão.

Mandados de busca e apreensão em 10 cidades

Além das prisões, a operação cumpriu 36 mandados de busca e apreensão em dez municípios do estado: Gaspar, Blumenau, Rio do Sul, Imbituba, Florianópolis, Bombinhas, Laguna, Braço do Norte, Palhoça e Imaruí.

Foram apreendidos documentos, computadores, celulares e quantias em dinheiro, todos considerados peças-chave para aprofundar a investigação. O material coletado passará por perícia, com o objetivo de confirmar as suspeitas de fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Entre os alvos das buscas, também figuram ex-gestores municipais como o ex-prefeito de Braço do Norte, Roberto Marcelino (PSD), conhecido como Betinho, e o ex-prefeito de Rio do Sul, José Thomé (PSD). Ambos são suspeitos de manter ligação direta com o esquema que movimentava contratos de valores milionários na área de gestão de resíduos.

O escândalo do lixo em Santa Catarina

A Operação Mensageiro, iniciada em 2022, já é considerada uma das maiores ações contra corrupção em Santa Catarina. Seu foco está em desvendar um suposto esquema de direcionamento de licitações e superfaturamento em contratos públicos relacionados à coleta, transporte e destinação de resíduos sólidos urbanos.

Nova fase da Operação Mensageiro resulta na prisão de dirigentes da Empresa Saays Soluções Ambientais pelo Gaeco.
Nova fase da Operação Mensageiro resulta na prisão de dirigentes da Empresa Saays Soluções Ambientais pelo Gaeco.

A Saays Soluções Ambientais aparece como um dos principais alvos desta sexta fase, sendo investigada por prestar serviços em pelo menos três municípios catarinenses, cujos nomes não foram oficialmente divulgados. O Ministério Público apura se a empresa teria se beneficiado de pagamentos de propina e manipulação de processos de contratação para conquistar e manter contratos de alto valor.

O caso, apelidado de “escândalo do lixo”, envolve não apenas empresários, mas também servidores públicos, prefeitos em exercício e ex-prefeitos, o que reforça a dimensão do problema e a necessidade de apurações contínuas.

Defesa nega irregularidades

A defesa dos três dirigentes detidos, representada pelo advogado Wilson Knöner Campos, sustenta que as prisões são desnecessárias e que seus clientes sempre colaboraram com as autoridades durante as investigações. Segundo Campos, os acusados “não têm nada a esconder” e suas explicações são contundentes o suficiente para refutar as premissas utilizadas pelo Judiciário para autorizar as prisões.

O advogado adiantou que pedirá a revogação das medidas cautelares assim que tiver acesso integral aos autos do processo. Para a defesa, a Saays Soluções Ambientais atua dentro da legalidade, prestando serviços regulares de gestão de resíduos sólidos, e não deveria ser tratada como peça central em um esquema criminoso.

Impactos e próximos passos

Com a prisão de dirigentes de uma das empresas que aparecem no centro das apurações, a Operação Mensageiro reforça seu alcance e mostra que continuará a atingir tanto o setor público quanto o privado. A expectativa é que a análise do material apreendido nesta fase traga novas provas e abra caminho para futuras denúncias formais.

Especialistas avaliam que o caso terá repercussões significativas para a administração pública de Santa Catarina, uma vez que coloca em debate a transparência nos contratos de resíduos sólidos — um setor que movimenta cifras elevadas e que afeta diretamente a saúde pública e o meio ambiente.

O MP-SC não descarta novas fases da operação, já que o escopo da investigação continua crescendo à medida que surgem novos indícios. A atuação do Gaeco e do Geac tem sido considerada fundamental para dar celeridade ao processo e ampliar a rede de apuração sobre práticas de corrupção no estado.

Conclusão

A prisão dos três dirigentes da Saays Soluções Ambientais em Gaspar marca um ponto decisivo da Operação Mensageiro e expõe os bastidores de um esquema que, segundo os investigadores, envolvia contratos milionários em diversas cidades catarinenses.

Enquanto a defesa insiste em afirmar que as acusações não têm fundamento, o Ministério Público segue reunindo provas em busca de responsabilizar todos os envolvidos. O caso evidencia a importância do combate à corrupção e da fiscalização rigorosa na contratação de serviços públicos essenciais, como a coleta e o tratamento de resíduos sólidos urbanos.

Autor: Ksenia Orlova

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