Índice da FGV registra nova queda em julho, mas contratos com aniversário em agosto terão reajuste anual de 2,76%; saiba quem será impactado e como calcular o novo valor.
Quem mora de aluguel ou possui um imóvel alugado ganhou um novo motivo para acompanhar os indicadores econômicos. A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou nesta quinta-feira (30) o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de julho, conhecido como a “inflação do aluguel”. Embora o indicador tenha apresentado deflação de 1,16% no mês, o acumulado dos últimos 12 meses permaneceu positivo em 2,76%, percentual que serve de referência para o reajuste anual de milhares de contratos com vencimento em agosto. (Folha de S.Paulo)
A divulgação reacendeu uma dúvida comum entre locadores e inquilinos: afinal, o aluguel vai aumentar ou diminuir? A resposta depende do período considerado. O índice mensal caiu, mas os contratos normalmente utilizam a variação acumulada dos últimos 12 meses. Por isso, quem tem contrato indexado ao IGP-M e faz aniversário em agosto poderá ter um reajuste positivo, salvo se houver negociação entre as partes. Em um cenário de inflação mais controlada, o percentual é menor do que os registrados em anos anteriores, quando o IGP-M chegou a acumular altas superiores a 20%, mas ainda representa um aumento no custo da moradia para milhões de brasileiros. (UOL Economia)
Como funciona o reajuste do aluguel pelo IGP-M
O IGP-M é um dos principais indicadores econômicos do país e há décadas é utilizado como referência para reajustes de contratos de aluguel residencial e comercial. Calculado pela Fundação Getulio Vargas, ele acompanha a variação de preços em diferentes etapas da economia, reunindo indicadores do atacado, do varejo e da construção civil. Embora outros índices, como o IPCA, tenham ganhado espaço nos contratos mais recentes, o IGP-M ainda é amplamente adotado no mercado imobiliário brasileiro. (Portal FGV)
O resultado divulgado em julho mostra uma situação que pode parecer contraditória à primeira vista. Apesar da queda de 1,16% no mês, o índice acumulado entre agosto de 2025 e julho de 2026 ficou em 2,76%, percentual utilizado para corrigir os contratos que vencem em agosto. Isso ocorre porque o reajuste anual considera o comportamento do índice ao longo de doze meses, e não apenas o resultado do mês da divulgação. (Folha de S.Paulo)
Na prática, um aluguel de R$ 2.000 reajustado integralmente pelo IGP-M passará para aproximadamente R$ 2.055,20, representando um acréscimo de R$ 55,20 por mês. O cálculo consiste em aplicar o percentual acumulado de 2,76% sobre o valor atual do aluguel. Vale lembrar que o reajuste somente ocorre se houver previsão contratual e respeitando a data de aniversário do contrato. (UOL Economia)
Quem será afetado e quando o reajuste pode ser negociado
Nem todos os contratos de aluguel utilizam o IGP-M como índice de correção. Desde a forte disparada do indicador durante a pandemia, muitos proprietários e imobiliárias passaram a adotar o IPCA ou até índices negociados entre as partes. Por isso, o primeiro passo para saber se haverá reajuste é verificar qual indicador está previsto no contrato assinado entre locador e inquilino.
Mesmo quando o contrato prevê o IGP-M, a legislação brasileira permite que proprietário e inquilino negociem um percentual diferente por consenso. Essa prática se tornou comum nos últimos anos, principalmente para evitar aumentos considerados excessivos ou preservar contratos de longa duração. Em muitos casos, a negociação beneficia ambos os lados, reduzindo o risco de inadimplência ou de desocupação do imóvel.
Especialistas do mercado imobiliário recomendam que qualquer conversa sobre reajuste ocorra antes da data de aniversário do contrato. Caso as partes cheguem a um novo percentual, a alteração deve ser formalizada por escrito para evitar dúvidas futuras. Já quando não existe acordo, prevalece o índice previsto no contrato, desde que respeitadas as regras da Lei do Inquilinato e as cláusulas firmadas entre as partes.
O que explica a queda do IGP-M e por que o índice continua positivo no acumulado
A redução de 1,16% registrada em julho foi influenciada principalmente pela queda dos preços no atacado, especialmente de combustíveis e derivados de petróleo, que possuem peso relevante na composição do indicador. Como o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) representa cerca de 60% do cálculo do IGP-M, oscilações nas commodities costumam produzir efeitos significativos sobre o resultado final. (Folha de S.Paulo)
Mesmo assim, a trajetória acumulada dos últimos doze meses permaneceu positiva. Isso acontece porque o índice incorpora variações ocorridas ao longo de todo o período, incluindo meses em que houve aumento expressivo de preços. Com a segunda deflação mensal consecutiva, o acumulado caiu de 3,16% para 2,76%, indicando uma desaceleração da inflação medida pelo IGP-M, mas ainda insuficiente para eliminar completamente os reajustes anuais dos contratos. (Portal FGV)
Para quem vive de aluguel, acompanhar esses indicadores é uma forma de planejar melhor o orçamento familiar. O reajuste anual pode parecer pequeno quando observado isoladamente, mas representa uma despesa fixa que influencia o custo de vida ao longo dos próximos doze meses. Em um cenário de inflação mais moderada e maior estabilidade econômica, a tendência é que negociações entre proprietários e inquilinos continuem desempenhando papel importante para equilibrar os interesses de ambas as partes.