O ano de 2025 representou mais um capítulo complexo para a economia brasileira, marcada por um ritmo de crescimento moderado que se estende ao início de 2026. Mesmo com indicadores que mostram expansão do Produto Interno Bruto, o ritmo não tem sido suficiente para sinalizar uma recuperação robusta frente às expectativas históricas do país. Diversos fatores internos e externos têm influenciado esse comportamento, desde decisões de política monetária até oscilações no cenário econômico internacional, o que molda as projeções e o ambiente de negócios no Brasil.
As projeções de instituições econômicas internacionais e agências de classificação apontam para taxas de crescimento modestas, com estimativas que giram em torno de dois e poucos por cento para o ano de 2025. Esses números refletem um conjunto de condicionantes que incluem taxas de juros elevadas, políticas fiscais restritivas e um ambiente de incerteza que limita investimentos mais ousados. A manutenção de juros altos pelo Banco Central como resposta às pressões inflacionárias tem impacto direto sobre a demanda interna, reduzindo o dinamismo de setores sensíveis ao crédito.
Internamente, a configuração fiscal do país continua sendo um dos principais pontos de atenção para analistas e investidores. A necessidade de avançar em reformas estruturais, como a tributária e outras iniciativas que visem melhorar o ambiente de negócios, é frequentemente destacada como essencial para impulsionar o potencial de crescimento sustentado. Ao mesmo tempo, a gestão das contas públicas e o controle da dívida são vistos como pilares necessários para reduzir o risco percebido pelos mercados e facilitar condições de financiamento mais favoráveis.
No contexto internacional, o Brasil não está isolado das dificuldades que grande parte das economias emergentes enfrenta. A desaceleração no comércio global, pressões protecionistas em mercados importantes e a desaceleração de parceiros comerciais como China têm efeitos sobre as exportações e, consequentemente, sobre o desempenho econômico brasileiro. A interdependência entre os mercados globais e as economias domésticas faz com que oscilações externas sejam rapidamente transpostas, impactando expectativas de crescimento e ajustando estratégias de política econômica.
Apesar dos desafios, existem aspectos que fornecem algum suporte ao cenário de médio prazo. O consumo interno, embora moderado, segue contribuindo de forma estável para a atividade econômica, enquanto setores específicos, como o agronegócio e a tecnologia, continuam a gerar dinamismo em segmentos com maior valor agregado. Essas forças setoriais ajudam a evitar uma desaceleração mais acentuada, proporcionando algum equilíbrio diante das incertezas globais e domésticas.
A discussão sobre o futuro do crescimento passa inevitavelmente pela combinação entre estímulos à produtividade e investimentos em inovação. A adoção de políticas que incentivem a digitalização, a educação técnica e o desenvolvimento de infraestrutura moderna são citadas por especialistas como caminhos para expandir a competitividade do país em mercados internacionais. Essas iniciativas, embora de longo prazo, podem contribuir para elevar o potencial de crescimento real da economia brasileira em horizontes futuros.
Ao mesmo tempo, as eleições e o cenário político exercem papel determinante no humor dos investidores e na tomada de decisões de empresas e consumidores. Mudanças no perfil da governança e nas prioridades políticas podem alterar profundamente as projeções econômicas, seja pela implementação de reformas, seja pela forma como são gerenciadas as contas públicas e as relações com parceiros internacionais. A instabilidade ou a incerteza prolongada, portanto, tende a postergar decisões de investimento e consumo em diversos setores.
Por fim, apesar de os indicadores atuais apontarem para um crescimento moderado e desafiador, o caminho seguido pela economia brasileira ilustra um processo de adaptação a um mundo mais complexo, onde fatores externos, decisões de política interna e a necessidade de reformas estruturais se combinam para definir o ritmo de expansão. Olhando para frente, a capacidade de conciliar estabilidade macroeconômica com incentivos ao crescimento sustentável será crucial para transformar as perspectivas e alcançar um desenvolvimento mais robusto e inclusivo.
Autor : Ksenia Orlova